Quando chegamos ao Rio e desembarcamos do avião, eu tinha reunido todo mundo para dizer algumas coisas que precisava expressar para todos. Os que me conhecem bem sabem o quão introvertido sou. Para conseguir confiança e respeito preciso de muito tempo de convivência longo e da mais extrema qualidade. As pessoas que confio e admiro são aquelas que me conhecem, que se interessam em me conhecer e que me respeitam. Claro, o caminho é de mão dupla. Essas pessoas ganham meu respeito e minha admiração. Em poucas vezes na minha vida conheci tais pessoas. No Aero encontrei mais de 20. Incrível. Eu sempre gosto de recordar que em Maio de 2017 tive essa oportunidade, mas nunca achei que a chance de entrar nessa equipe seria tão gratificante, tão frutífera e mais do que tudo tão enriquecedora. Uma palavra nos acompanhou nos últimos dias e realmente descreve essa equipe e essa viagem e essa era união. Quando passamos por um dos momentos mais críticos da equipe, em uma das nossas reuniões, contei a todos sobre a Rueda de Mate. Um costume de séculos de história na América Latina e principalmente no meu fascinante país, Argentina. Quando estamos com amigos, família e pessoas que realmente gostamos e adoramos, fazemos a Rueda de Mate que é tomar o mate (diferente daquele do Brasil). Reunimos a todos e contamos histórias e conversamos sobre a vida, enquanto o mate vai passando de mão em mão. Um momento de esquecer os problemas de conviver com aqueles que amamos. Em resumo, AeroRio é uma Rueda de Mate para mim. Há muito tempo que não vivia algo parecido. E isso tudo por uma decisão que havia tomado há um ano. Um dos «sims» pelos quais nunca me arrependerei. O avião e a equipe representam essa união e essa amizade verdadeiras. A EAST só me ajudou a ratificar tudo isso. Só me ajudou a confirmar que sair vai ser hiper complicado, algo que nem penso nesse momento. Por isso agradeço a todos do Aero. Ao Alef pelas suas dicas e pelas conversas cômicas, além de seus ensinamentos sempre pertinentes. À Bruna pela sensatez e pela sua forma de sempre zelar pela uniao de todos e por ser sempre forte nas suas decisões. Ao Daniel por ser quem ele é, humilde e sempre presente e trazer momentos únicos para a equipe. Ao Eduardo por estar conosco e fazer parte de uma equipe de jovens, outroa teriam pulado fora dessa confusão. Ao Dudu por ser uma das pessoas que mais valorizam a amizade que já conheci, pelos seus vastos conhecimentos em tudo, pelas piadas sempre engraçadas e pelo respeito. Ao Erik pela sua convivência e pelas conversas sempre engraçadas e diversas. Ao Papa, meu colega de CAD e que também sempre tenho conversas filosóficas. Ao Vidigal por ser quem ele é e uma das pessoas mais inteligentes que já conheci, além de uma das estrelas da Apresentação. À Giovanna por ser minha companheira das fotos, pelos cafés e também seu valor de união pela equipe e por ser forte em suas decisões. Ao Marçano meu colega da câmera, sempre clicando juntos, além de seu valor de amizade e empatia. À Larissa nossa eterna capitã e uma das pessoas que mais admiro e que mais respeito por ser a mais forte nas decisões e por sempre valorizar a todos nós como parte da equipe. À Lili por ser quem ela é e também sempre valorizar a todos e seu sentimento de união com o Aero. Ao Lucas, gigante da construção e um dos que mais encarna o espírito do Aero e sempre zelar por todos a todo momento. Ao Manoel grande da eletrônica, pela sua sensatez e tranquilidade e seu sentimento pelo Aero. Ao Matheus nosso escoteiro e apaixonado pelo mundo, uma das pessoas que admiro por sua coragem e presença. Ao Petrus pela sua paixão pelo Aero e suas eternas piadas e por sempre respeitar os outros, além de ser um amigo de longa data que sempre respeitei. Ao Pizzaia uma das pessoas que me ajudou e muito a me sentir presente na equipe e sempre ter ouvidos para todos e pela sua sensatez. Ao Thiago outra das pessoas mais inteligentes que já conheci e por nossas conversas e discussões sempre completas e muitas vezes engraçadas, além de ser um grande amigo meu de longa data. Ao Renan por ser um dos mais animados e dedicados da equipe e pela sua paixão pelo Aero além da sua eletrônica tão bem sucedida. À Vivi por sempre ter ouvidos a todos e por ter aprendido tão rápido o valor do Aero. Ao Pablo por ser nosso piloto e por ser sempre sensato e apaixonado pelo aeromodelismo. À Malu, à Jessica e ao Gabriel por também estarem presentes e por ajudarem nas nossas conquistas e que apesar de não terem vindo, fizeram valer seus trabalhos no Brasil. Finalmente, ao Paulete por sempre estar presente e nos acompanhar com seus vastos conhecimentos de aeromodelismo e sua paixão pelo Aero. Todos foram responsáveis por essas conquistas e por esses momentos que construímos juntos.
Uma outra coisa que tiro de muito positivo desta viagem e deste projeto e foi até uma das coisas que falei para o grupo é que as recompensas só vêm com muito trabalho e muitos desafios. Existe uma música muito especial que, eu pelo menos, tomo como um hino pessoal. Se chama Zona de Promesas de Soda Stereo, banda de Buenos Aires, Argentina. O refrão diz basicamente «Tarda en llegar y al final hay recompensa, en la Zona de Promesas«. Apesar de estar en espanhol, compreende-se a mensagem simples que Gustavo Cerati quis passar com essa música. O final está longe, mas o tempo sempre vai trazer as recompensas (e que recompensas). Devo dizer, o caminho foi longo. Uma das questões que mais nos abalou, sem dúvidas foi uma discussão interna da equipe que levou a uma paralisação do projeto da EAST, perdemos tempo, além de termos esfriado as nossas relações, que demoraram em tornar-se novamente da forma que vemos hoje. Foi complicadíssimo recuperar a união que tínhamos, levando até à desistência de membros. Além desse impasse, nas primeiras semanas do nosso projeto, um dos nossos aviões perdeu controle e caiu, levando à perda de um módulo central e de uma fuselagem. Perdemos muito tempo tentando recuperar e reconstruir novas peças e novas estruturas para nosso avião reserva. Tivemos também a problemática da logística e da nossa casa em Lakeland que nos levou a muitas dores de cabeça. Soma-se a tudo isso o fato de termos que ir todos os dias à PUC, virando noites e não podendo muitas vezes descansar ou sair porque tínhamos nossas responsabilidades com o Aero. Não foi fácil. Deixamos para trás muitas coisas pelo Aero. Isso é na realidade o espírito do Aero, nós estávamos ali porque gostamos do projeto e das pessoas que trabalham nele. É a nossa paixão pela equipe, pelo avião, pela PUC e por todas as pessoas que gostamos que nos leva a trabalhar tanto e nos esforçarmos tanto. As dificuldades estão aí para nos ensinarem e nos mostrarem que o caminho deve ser percorrido na sua plenitude, que não existem atalhos nem facilidades. Cerati, um dos gênios do rock argentino, nos trouxe uma frase que nos coube como uma luva, chegar é o mais difícil, mas uma vez que se alcança a glória, todo o sofrimento terá ganho um valor extraordinário. Desta forma, o caminho nos ensina e por isso temos que aproveitá-lo. A nossa estrada era a mais complicada, mas a vista ao final foi incrível, a vista da Zona de Promessas, das recompensas.
A seguir, pedi para todos os integrantes da equipe que escrevessem um breve depoimento acerca da viagem (para os que foram) e do Aero (para todos). Acredito que eu me expressei em demasia sobre esses tópicos durante todos esses dias, então deixo para que vocês leiam um pouco sobre o que todos têm a dizer.
Daniel
Acredito que o AeroRio tem um significado especial pra cada um mas acho que todos possuímos o sentimento fortíssimo de amizade dentre dessa família que é nossa equipe. Mais do que isso, para mim o Aero foi algo que me fez decidir o que queria do meu futuro. Mesmo tendo iniciado a faculdade de engenharia não sabia se era aquilo mesmo que queria nem mesmo qual engenharia. Entrando no Aero, vi que era realmente aquela minha paixão e agradeço muito à equipe por ter me acolhido.
É claro que dentre muitos momentos felizes existem sempre momentos tristes e acho que um que pode ser destacado foi quando descobri que não ia poder ir na viagem, como podem notar na minha ausência na saga sobre asas. Era minha ultima oportunidade de ir em competição e acabou não dando. Por fim, acho que esse sentimento é enormemente abafado pela felicidade que essa equipe proporciona, com destaque para nossa vitória no brasileiro de 2017, que foi um dos melhores momentos com certeza.
Eduardo
«O Aero é aprendizado! Mas, não meramente no sentido estrito, no sentido amplo da palavra! Quando me refiro a aprendizado não estou me referindo simplesmente a cálculos de desempenho e estruturas, ou ao dimensionamento adequado de servomotores, nem somente a aprendizado prático relacionado por exemplo as técnicas de laminação. Estou me referindo ao aprendizado no sentido mais amplo da palavra! O Aero é aprendizado de vida! Aprendizado de convivência, aprendizado de falar, mas também de saber escutar. Aprendizado de altruísmo, pois ensina a nos permitir pensar mais no bem-estar do coletivo, em detrimento do individual. Aprendizado de saber lidar com diferenças e respeitar opiniões! Aprendizado de como é possível projetar e construir as asas que nos levarão mais longe e mais alto em nossas vidas! Aprendizado de como nos tornarmos pessoas melhores!
Parafraseando Walt Disney: “Tudo aquilo que conquistamos pertence ao grupo como um todo, é um tributo ao nosso esforço coletivo!” O que foi conquistado é fruto do trabalho de toda a equipe, daqueles que foram para a competição e daqueles que ficaram! Sem a contribuição individual de cada um, seria impossível alcançar o sucesso coletivo! Dessa forma, meu muito obrigado ao coletivo!
O melhor momento da viagem foi ver o quão bem preparados e integrados estávamos na competição. Foi ver nossa capacidade de conseguirmos conversar em momentos de grande tensão e sob pressão. Perceber nossa capacidade de superar problemas e notar que escutávamos uns aos outros e levávamos as opiniões de todos em consideração, em todas as tomadas de decisão. Ou seja, o melhor momento, foi quando constatei o quão bem estávamos funcionando como equipe!
Outro destaque importante, vai para a casa e para o fato de que apesar de seus inúmeros problemas infraestruturais, fomos capazes de torná-la nosso lar e convivemos como uma família! Soubemos respeitar e ajudar uns aos outros! Se não houvesse união, isso seria impossível! A casa serviu para nos unir, para nos conhecermos melhor e para fortalecer laços de amizade.
A viagem superou expectativas! Alcançamos resultados excepcionais, mas o resultado mais importante não foi o vice-campenato, nem nossa medalha de ouro em apresentação oral, ou nossa medalha de prata em lançamento de cargas humanitárias, ou nossa medalha de bronze em relatório técnico! Para mim, o resultado que me deixou mais feliz foi constatar de perto como procurávamos ajudar uns aos outros, ouvir e respeitar diferentes opiniões, trabalhar em grupo em prol do sucesso coletivo! Tenho certeza que os resultados são consequências diretas de nossa capacidade de continuarmos assim! Que este seja o combustível que nos impulsionará mais e mais para o alto e avante!»
Giovanna
Fazer parte do aero é muito mais do que construir um «aviãozinho», como as pessoas dizem. Pra mim é poder botar tudo em prática, aprender coisas novas todos os dias, saber lidar com pessoas e com momentos difíceis. É um sentimento incrível ver algo que você ajudou a construir, funcionando. Faltam palavras para descrever todos os sentimentos, mas eu me sinto orgulhosa de participar de um projeto desses e fico orgulhosa de todas as pessoas da equipe.
Quero agradecer meus pais e a todos que sempre me incentivam a continuar na equipe apesar de todas as dificuldades, obrigada por sempre me lembrarem de como eu sou feliz fazendo o que eu faço.
E sobre a east 2018, fiquei incrivelmente feliz com os resultados. Confesso que não esperava, não esperava que poderíamos chegar ao pódio e pra mim o melhor momento da viagem foi esse. Ver que estávamos lá competindo com diversas equipes internacionais que possuem muito mais recursos e infraestrutura para desenvolverem seus projetos e conseguir mesmo assim estar no mesmo nível deles, mostra que tudo é possível. Menos recursos, menos investimentos, menos tempo não justifica um projeto menos. Somos tão bons quanto (ou até melhores, modéstia a parte).
Marçano
O Aero para mim significa uma segunda casa, e uma segunda família, por mais que nas férias a equipe pareça ser a minha primeira casa e minha primeira família. A equipe é um grupo de amigos reunidos que ama fazer oq faz, todos ali se dedicam ao máximo, e isso nos torna essa grande família. Além da parte da família, é um local onde aprendemos coisas para toda a vida, desde a parte da construção, como escrever relatórios, lidar com pessoas e muitas outras coisas. A viagem para a East serviu para aprendermos muito, e também para unir cada vez mais a equipe, como o Marcos mesmo disse em seus incríveis textos, aquela casa toda cheia de proemas nos fez rir muito e até brincar com as condições dela, o que acabou nos deixando cada vez mais próximos. Mas fora isso a competição é uma experiência única, que sei que poucos irão vivenciar, mas que foi um aprendizado enorme e que guardarei esses momentos pelo resto da minha vida. A viagem não teve nenhum momentos ruim, todos foram ótimos, apenas tiveram uns menos ótimos que os outros, até porque do lado dessas pessoas incríveis não há momentos ruins. Muito obrigado a todos da equipe por sempre me tratarem bem e obrigado por fazer parte dessa família.
Matheus
O melhor momento: ver o ar18 voando. Mas não no campeonato e sim dentro do carro. Depois que me deram a missão de botar dois aviões dentro de um carro, sendo que era fisicamente impossível os dois estarem no mesmo plano só me veio um pensamento: porquê não pôr um sobre o outro?
Isso só teria que ser feito de um modo em que houvesse certeza de que eles chegariam em perfeito estado no local da competição. Tive meu momento de fama quando alguns seguravam os aviões enquanto eu fazia algumas voltas do fiel, oito duplos e nós de caminhoneiro. Depois de todos os nós prontos chegou o momento de içar os aviões, e como mágica tinha um AR18 voando dentro do carro. Para finalizar, Petrus fez o Xzão da Xuxa como backup para meu sistema. Em seguida todos nos entreolhamos e começamos a rir com o que estavamos vendo, nao conseguiamos acreditar na cena que estávamos vendo.
Pior momento: não, não foi quando fiquei preso por trâs horas na imigração e perdi o voo, me separando do grupo e sem ter a mínima ideia de como chegaria na casa. Também não foi quando a polícia americana me parou no aeroporto suspeitando que tinha uma bomba na minha mala (todos deveriam sentir a sensação de ser visto como um terrorista por alguns minutos kkkk). O pior momento foi a manhã do primeiro dia de voo, estava um frio absurdo, estava só com um casaco fino e não estou acostumado com o frio da Patagonia como o Marcos. Fui algumas vezes para o carro com a intenção de evitar o vento, mas também tinha que ajudar a montar o avião. Com certeza essa foi a manhã mais longa da viagem.
O aero para mim não é só um ambiente profissional, de aprendizarem e desenvolvimento pessoal. Mas também familiar, de amizade, parceria, confiança e descontraçao
Malu
Entrar na aero significou uma nova experiência na minha vida. Conhecer novas pessoas, ter novos conhecimentos, conviver com o trabalho em equipe, eram desafios que estavam por vir. Demorei um pouco para entender o significado da equipe e com o tempo pude perceber que as pessoas que estavam ali comigo eram mais que integrantes da equipe e sim, uma família. Temos o prazer de trabalhamos juntos e a vontade de sempre estar crescendo, alcançando nossos objetivos. Só tenho que agradecer a todos por terem me recebido tão bem nesses últimos meses e por sempre estarem solícitos a me ensinar e me ajudar. Estaremos juntos em busca de mais uma conquista!
Thiago
Primeiramente gostaria de agradecer à minha família, ao coordenador da equipe Eduardo, à capitã Larissa, e à todos os membros da equipe que fizeram esse sonho possível. Para mim, a AeroRio não é apenas um local de aprendizado, de experiências e de trabalho, essa equipe já se tornou muito mais do que uma equipe, já se tornou minha segunda família. Uma família onde todos se ajudam, claro que como toda boa família, sempre ocorrem pequenas briguinhas, mas que nunca tiram a união e o respeito de todos. Por isso amo tanto o Aero.
A viagem foi uma experiência muito mais incrível do que pensei que seria, e olha que fui com expectativas altas. A superação de todas as dificuldades, e ter feito tudo no «modo hard» acabou que deu um gostinho ainda mais especial, além de ter convivido por alguns dias com pessoas incríveis que tive o prazer de conhecer um pouco mais. Difícil escolher um momento que mais gostei… foram vários, mas devo adimitir que ganhar todos aqueles prêmios foi um momento de uma sensação incrível de dever cumprido e de realização. Já o que menos gostei é fácil, não existiu, todos os momentos tiveram o seu valor e o seu ponto positivo, mas se for pra citar um momento agonizante, foi quando o Matheus ficou preso na alfândega e tivemos que viajar deixando um membro para trás.
Novamente reforço o quão incrível foi essa viagem, e o quão enriquecedora ela foi. São momentos que vou levar para minha vida inteira, e vou lembrar sempre com carinho e felicidade
Desta forma, com toda essa linha de pensamento gostaria de dizer que foi um prazer inenarrável ser o responsável por descrever essa história e pelo que vocês viram e leram, eu realmente amo essa equipe. Um prazer trabalhar com essas pessoas que espero ainda poder projetar e ajudar essa equipe a ir mais longe. Um prazer fazer parte desse projeto e de ter sido parte de algo que saiu do papel em tão pouco tempo. Uma honra estar do lado dessas pessoas, de representar a minha universidade e meu país (mesmo que indiretamente). Muito obrigado por terem acompanhado o AeroRio e todos nós. Agradeço aos nossos pais, nossos mais fieis torcedores, aos nossos amigos e a todos que fizeram o Aero possível. Desta maneira, encerro em definitivo a descrição da nossa incrível viagem para a SAE EAST 2018, não sei quando será a próxima vez que escreverei sobre o Aero, mas que seja em breve, porque emoção nunca vai faltar.







