Tudo começou cedo. Muito cedo na realidade. Depois de dormir tarde, preparar a mala, acordar não foi fácil. Às cinco e quinze da manhã, preparei-me para a viagem e para as primeiras aulas do ano da universidade. Logo depois de sair e chegar à PUC, eu tinha duas aulas de Engenharia Mecânica. Seguidas quatro horas de mecânica de fluidos 2 e elementos de máquinas, em que era muito difícil se concentrar, porque a emoção era enorme para a aventura que começava às 15.
Nós fizemos os preparativos finais e às 15 o caminhão foi buscar nossas malas e caixas que carregavam itens pessoais e todas as partes do avião. Vários pais dos integrantes da equipe vieram nos ajudar a nos levar e dizer adeus à equipe no aeroporto.
Tudo aconteceu incrivelmente bem. Chegamos às 15h40 no Galeão e com muita antecedência, porque o nosso voo saiu do Rio às 21h30. Que loucura, pensar que alguns meses atrás sonhamos e pensamos como tudo ia acontecer, agora tudo acontece, tudo saiu do papel, de nossas ideias. Foi a partir de agora que o imprevisível iria brincar conosco.

Nós estávamos juntos para a aventura que começou, nós da Aero e alguns pais. Esperamos por algum tempo, cerca de 2h30 para começar a fazer o check in do voo. Muita antecedência. No entretempo, havia outros que vieram direto para o aeroporto e quando estávamos o grupo inteiro, os pais tiraram fotos nossas, orgulhosos do momento que passávamos. Foram fotos muito «interessantes», se pode-se dizer isso. A mãe de Manoel, a mais animada, nos fez posar gritando «Agora, em meia lua», «Agora com as mãos para cima» e «Gritem , ‘AeroRio’ «. Nós rimos alto, tentando seguir suas ordens, mesmo com relutância. Foi ótimo como a aventura começou, com nervos, mas com risadas felizes que poderiam contê-los. Nós também fizemos algumas últimas organizações entre malas e entre caixas, para ver se não pesavam tanto ou se esquecemos de algo. Depois de um tempo, despachamos nossos volumes. Pessoas e funcionários observavam nossas caixas, pensando o que poderia estar lá. Tivemos sorte, apenas uma das malas era oversize quando pensávamos que haveria duas, menos mal… O orçamento da equipe sempre foi apertado, então quanto menos despesas desnecessárias melhor para nós. Com as malas despachadas, fomos às portas e dissemos adeus a todos, incluindo Alef, que não poderia vir, para a tristeza de todos e marchamos em direção à nossa aventura. Tivemos tempo, para que pudéssemos comer e aproveitar as instalações do aeroporto, acho que nunca consegui fazê-lo, sempre cheguei no sufoco, mas o tempo foi algo que sentimos falta nos dias seguintes. O modo hard, como dizemos, ainda não mostrou sua dificuldade máxima.
Esperamos, fizemos um pequeno lanche, lemos, atravessamos o terminal e embarcamos. O vôo demorou oito horas para Miami, então houve tempo, observe como eu destaco isso. Alguns assistiram filmes, outros descansavam e eu lia, mas todos nós fomos juntos e conversamos de vez em quando.
Seguidas as oito horas de um vôo muito cansativo, chegamos a Miami e fomos logo na saída e nos encontramos lá. Lili esqueceu algumas coisas no avião, então esperamos que ela resolvesse o assunto. Um pequeno problema que não era nada comparado com o que estava começando a acontecer. Éramos 16. Juntos, fomos para Migrações. Tudo muito automatizado para o que eu lembrava. Nas máquinas, apresentamos nossos passaportes. Para alguns, como eu, as máquinas não nos aprovaram e tivemos que ir aos guichês para a entrevista. Para os outros, foram direto para a saída. Aqueles de nós que foram às cabines se alinharam e esperaram sua vez. Matheus era o penúltimo na fila, atrás de mim. Eu fiz minha entrevista e os outros também. Na saída de Migrações, o resto do grupo estava nos esperando. Éramos 15. Nem um sinal de Matheus. Acreditando que ele já havia passado diretamente, fomos procurar nossas malas. Para terem uma idéia, nós éramos 16 e nós tínhamos duas caixas/malas cada. São 32 malas, um monte. As malas já nos tinham sido separadas, já que demoramos muito em Migrações, esperando por Matheus, mas nem um sinal dele. A tensão aumentava à medida que o tempo passava e as coisas se desorganizaram. Decidimos esperar mais uma meia hora para que Matheus aparecesse, mas foi uma decisão da qual todos tínhamos medo de fazer. Os guardas nos recomendaram sair e deixar as malas de Matheus (uma delas era uma das caixas de ferramentas). A confusão foi total. Abrimos a caixa e tiramos coisas que pudessem ser importantes para nós, como os motores, se Matheus não chegasse a tempo ou se simplesmente não viesse. Nós decidimos avançar … Matheus tinha uma justificativa para si mesmo, nós não. Alguns carregavam três ou quatro malas, outros duas e outros apenas uma, mas por pura confusão. Alguns de nós como Larissa, Bruna, Vivi, Manoel etc. passaram por outro corredor e terminamos perdendo-os, depois viemos a descobrir que estava tudo bem com eles.Aqueles de nós que tinham malas e caixas foram forçados a passar pela Alfândega e eles verificaram tudo. Abriram tudo e analisaram tudo. Eles nos perguntaram sobre o conteúdo de nossos volumes. Foi realmente estranho. Grupo de jovens adultos vestidos iguais com caixas estranhas. Não foi fácil, estávamos com menos um e milhares de malas e, em cima disso, nos separamos em pequenos grupos, o pior que poderia acontecer conosco. Despachamos as malas, que cada um poderia transportar. Em outras palavras, cada um que passava, da equipe, deixava as malas que ele tinha em suas mãos. Então, não sabíamos se as nossas malas e as de Aero tinham sido despachadas. Além de tudo isso ainda tínhamos limite de tempo. Tínhamos 1 hora e 1 fila gigante para passar pelos raios-X, e com a preocupação estupidamente gigante de não saber onde os outros estavam e, principalmente, Matheus, que nem sequer sabíamos de seu paradeiro. Não havia outra, fizemos a fila, tivemos que avançar, porque se chegássemos tarde e perdêssemos o voo, teríamos que pagar $200 por pessoa. Não era uma opção.
Depois da pesada linha carregada de turistas ansiosos para visitar Mickey e fazer as compras, saímos e tivemos uma pequena sensação de alívio. Em pequenos grupos nos encontramos novamente parcialmente. Nós olhamos para os relógios e percebemos que estávamos relativamente longe da porta. Não havia outro, buscamos nossos Forrests Gumps interiores e corremos como nunca em direção à porta. Foram cerca de 5 minutos de corrida frenética e incessante. Quando chegamos, tivemos nosso primeiro alívio. Bruna, Larissa, Vivi, Marçano, Manoel nos esperavam «tranquilamente» na porta. Éramos 15 novamente. Nada de Matheus. Quando nos reunimos e pudemos esclarecer as ideias, discutimos quem estava com quem e quais as malas levou. Claro, Matheus era um mistério sem fim. Os desafios não pararam de surgir. Aos 20 minutos eles nos chamaram e fomos os 15 em direção ao nosso avião. Sentado nos assentos da A321 em direção a Orlando, discutimos o que íamos fazer com a situação de Matheus. Nós chegamos a pensar o que ele estaria fazendo, ao ponto de achar que ele poderia ter sido deportado. Aqueles que podiam, descansavam e esperavam para chegar na muito adorada (ou não) Orlando.

Quando chegamos ao aeroporto, recebemos a melhor mensagem do dia. Matheus nos enviou um áudio dizendo que ele havia sido liberado de uma investigação aleatória de três horas e teve que pegar um vôo mais tarde, então nós o encontraríamos em breve e voltaríamos a ser 16. Pelo menos nós estávamos juntos. Nós fomos às esteiras para pegar as malas e ficamos na praça de alimentação para descansar e esperar pelo Matheus e buscar os carros que alugamos.
Estávamos todos mortos. Eu até que dormi consideravelmente bem, então eu estava bem com sono. Giovanna, no momento em que chegamos, se deitou em um sofá e dormiu diretamente. Outros resistiram um pouco mais como Lucas, Pizzaia e Erik, mas se renderam à fadiga. Para passar o tempo, jogamos todos juntos, tentando todos ficar acordados, Uno como nunca, com Papa sendo vítima de todos os ataques malignos. Outros passeavam pelas instalações do aeroporto. Às 10, Matheus chegou e finalmente nos reunimos. Nós almoçamos, mais Uno multitudinário, esperando o tempo passar porque o check-in na casa era apenas à tarde.

Depois de algumas horas, a comitiva seguiu como uma procissão em direção aos carros que alugamos. Muito tempo para a burocracia terminar. Alugamos 3 carros, com os motoristas Larissa, Lucas e Pizzaia. Quando Renan e Eduardo chegassem, teríamos mais um carro, mas até então, íamos com 1 carro, Pizzaia, com todo o carregamento de malas e caixas, verdadeiro Tetris no nível mais complexo, nós estávamos nos outros dois carros. Era um Toyota Sienna vermelho, um Dodge Gran Caravan branco e um Chrysler Pacifica branco (0 km, megatecnológico, até estacionava sozinho!). Estávamos cheios e apertados, mas era melhor juntos do que separados.
Com os carros, começamos a levar a comitiva AeroRio para Davenport onde estava a casa, que alugamos com pouca certeza. A viagem foi levemente longa principalmente porque as dúvidas começaram a aparecer: o que fazer? O que procurar? Onde dormir?
Após 1h 30, com várias paradas procurando compras/pacotes no Amazon Locker, chegamos no 830 Ballyshannon Drive o endereço da casa. Para abrir a casa, tivemos que colocar uma senha, a que nos enviaram estava errada, mas Giovanna teve alguma ajuda divina (ou perguntem a ela para explicar como ela conseguiu fazê-lo) para não dizer sorte e conseguiu colocar a senha correta. Sorte e alívio, já estávamos pensando em dormir nos carros.

Entrando na casa, fizemos nossas primeiras opiniões. Era uma casa grande. Na entrada havia uma sala de estar com duas mesas para comer e alguns sofás, onde decidimos que seria o local de construção do avião. Ao passar da entrada, estava a cozinha e outra sala, um lugar para convivência e treinamento de apresentação. Ao lado da cozinha estava a piscina que era mais verde do que a grama que a rodeava. Nada adorável como nas fotos do site. Nosso anfitrião, o famoso Jin, era um pouco descuidado com os convidados. Ele não respondia as mensagens e quando o fez, foi com um vigoroso «Yes, to all». Muito informativo. Além disso, a casa tinha vários problemas de móveis quebrados ou incrivelmente desgastados ou infiltrações que estavam por vir, sem dizer que a casa era muito feia por si só, deixando muitas expectativas.
Com as malas dentro, Marçano e Vidigal contavam os quartos e organizaram onde todos iam dormir. O meu foi no andar de baixo e eu o compartilhei com Thiago. Foi o pior da casa, como dissemos, mas pelo menos tínhamos as camas mais confortáveis. As meninas estavam em dois dos quartos acima. O Team Eletrônica estava em um quarto, Eduardo em um separado e os outros estavam dispostos em salas que lhes parecessem boas, é claro, seguindo a organização de Marçano e Vidigal.
Nós decidimos deixar tudo e ir jantar porque estávamos todos meio cansados e nós ainda precisávamos comprar suprimentos no Wallmart para a casa, como comida para o café da manhã, peças de limpeza, água, etc. Nós fomos a um restaurante nas proximidades (IHOP) e pedimos uma mesa para 20 pessoas. Todos se reuniram, incluindo Renan e Eduardo, que chegaram logo depois que nos sentamos na mesa. Nós rimos das situações e dos desafios que passamos, além dos memes que o Jin tinha nos providenciado. Que bom estar com todo esse grupo, certamente seriam dias incríveis à frente.

Chegamos à casa e fomos dormir, estávamos todos mortos e decidimos construir o avião amanhã. Éramos finalmente 18, apenas faltava Pablo que chegaria na quinta.